quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

CURSO DE PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL - TURMA UNICA PIRIPÁ - AULA 2 - PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL







EMENTA:
A Psicopedagogia como Epistemologia Convergente. Autores contemporâneos. A atuação do psicopedagogo nas escolas, nas empresas e nos hospitais. A Psicopedagogia Institucional e a prevenção dos problemas de aprendizagem. Possíveis intervenções sobre o fracasso escolar. Atuação com profissionais da escola. Atuação com famílias na escola. O trabalho do Psicopedagogo na instituição (empresa pública ou privada, presídio, hospital, escola); pedagogia Terapêutica; relação instituição e psicopedagogo; interpretação psicopedagógica.

INTRODUÇÃO:
"Ninguém te sacudiu pelos ombros quando ainda era tempo.
Agora, a argila de que és feito já secou e endureceu e nada mais poderá
despertar em ti o místico ou o poeta ou o astrônomo que talvez te habitassem.
(A. de Saint-Exupéry)

Exupéry, eu te perdoo, você não sabia (de mim).
Que pena(!), você escrevia,
(Mas me desculpe), você não entendia
nem de argila, nem de psicopedagogia."

(Yara Stela Rodrigues Avelar)

A Psicopedagogia é um campo de conhecimento e atuação em Saúde e Educação que lida com o processo de aprendizagem humana, seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio - família, escola e sociedade - no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios.
Segundo BOSSA (2000, p. 21), a Psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, que adveio de uma demanda - o problema de aprendizagem, colocado num território pouco explorado, situado além dos limites da Psicologia e da própria Pedagogia - e evoluiu devido à existência de recursos, ainda que embrionários, para atender essa demanda, constituindo-se, assim, numa prática.
A Psicopedagogia vem criando identidade e campo de atuação próprios, que estão sendo organizados e estruturados especialmente pela Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).
KIGUEL (1987, p. 25) ressalta que a Psicopedagogia encontra-se em fase de organização de um corpo teórico específico, visando à integração das ciências pedagógicas, psicológica, fonoaudiológica, neuropsicológica e psicolinguística para uma compreensão mais integradora do fenômeno da aprendizagem humana.
O objeto de estudo deste campo do conhecimento é a aprendizagem humana e seus padrões evolutivos normais e patológicos.
É necessário comentar que a Psicopedagogia é comumente conhecida como aquela que atende crianças com dificuldades de aprendizagem. É notório o fato de que as dificuldades, distúrbios ou patologias podem aparecer em qualquer momento da vida e, portanto, a Psicopedagogia não faz distinção de idade ou sexo para o atendimento.
Atualmente, a Psicopedagogia vem se firmando no mundo do trabalho e se estabelecendo como profissão.
 O Projeto de Lei 3.124/97 do Deputado Barbosa Neto que prevê a regulamentação da profissão de Psicopedagogo e que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicopedagogia, está em tramitação na Câmara dos Deputados em Brasília na Comissão de Constituição, Justiça e Redação.
 A regulamentação da profissão ocorrerá para o nível de especialização e o projeto já foi aprovado na Comissão do Trabalho e na Comissão de Educação, Cultura e Desporto.

SOBRE A PSICOPEDAGOGIA
Historicamente, segundo BOSSA (2000, p. 36) os primórdios da Psicopedagogia ocorreram na Europa, ainda no século XIX, evidenciada pela preocupação com os problemas de aprendizagem na área médica.
 Acreditava-se na época, que os comprometimentos na área escolar eram provenientes de causas orgânicas, pois procurava-se identificar no físico as determinantes das dificuldades do aprendente. Com isto, constituiu-se um caráter orgânico da Psicopedagogia.
De acordo com BOSSA (2000, p. 48), a crença de que os problemas de aprendizagem eram causados por fatores orgânicos perdurou por muitos anos e determinou a forma do tratamento dada à questão do fracasso escolar até bem recentemente.
Nas décadas de 40 a 60, na França, ação do pedagogo era vinculada à do médico. No ano de 1946, em Paris foi criado o primeiro centro psicopedagógico. O trabalho cooperativo entre médico e pedagogo era destinado a crianças com problemas escolares, ou de comportamento e eram definidas como aquelas que apresentavam doenças crônicas com diabetes, tuberculose, cegueira, surdez ou problemas motores. A denominação "Psicopedagógico" foi escolhida, em detrimento de "Médico Pedagógico", porque acreditava-se que os pais enviariam seus filhos com mais facilidade.
Em decorrência de novas descobertas científicas e movimentos sociais, a Psicopedagogia sofreu muitas influências.
Em 1958, no Brasil surge o Serviço de Orientação Psicopedagógica da Escola Guatemala, na Guanabara (Escola Experimental do INEP - Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC). O objetivo era melhorar a relação professor-aluno.
Nas décadas de 50 e 60 a categoria profissional dos psicopedagogos organizou-se no país, com a divulgação da abordagem psico-neurológica do desenvolvimento humano.
Atualmente novas abordagens teóricas sobre o desenvolvimento e a aprendizagem bem como inúmeras pesquisas sobre os fatores intra e extra-escolares na determinação do fracasso escolar contribuíram para uma nova visão mais crítica e abrangente.

LEIS, CÓDIGOS E DIRETRIZES
Código de Ética do Psicopedagogo, revisado e aprovado em novembro/2011
Projeto de lei nº 3512 DE 2008 - Deputada Professora Raquel Teixeira
Ministério do Trabalho e do Emprego - MTE
Integra da lei 10.891 de 20 de setembro de 2001
Código de Ética
Projeto de lei nº 128/2000 do Dr. Claury Alves da Silva
Projeto de lei n º 3124/97 do Dep. Barbosa Neto


ATIVIDADE:
Para Bossa (2000), o psicopedagogo tem muito o que fazer na escola: Sua intervenção tem um caráter preventivo, sua atuação inclui:
  • orientar os pais;
  • auxiliar os professores e demais profissionais nas questões pedagógicas;
  • colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento em todos os integrantes da instituição e;
  • principalmente socorrer o aluno que esteja sofrendo, qualquer que seja a causa.
Considerando a fala de Bossa e as leituras sugeridas, elabore um projeto de atendimento psicopedagógico que pode ser direcionado aos pais, ou aos professores, ou a direção da escola ou diretamente ao aluno.


SUGESTÃO DE LEITURAS:


REFERÊNCIAS BÁSICA:
 Barbosa, LMS. A Psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente; 2001.
Pichon-Rivière, E. O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes; 1988.
Visca, J. Clínica psicopedagógica. Epistemologia Convergente. Porto Alegre: Artes Médicas; 1987.
Freire, P. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1981.
Vygotsky, LS. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes; 1987.
Rego, TC. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis: Vozes; 1995.


REFERÊNCIAS CONSULTADA:
ABREU, Sueli - Dissertação de Mestrado "Construindo um Espaço: Ambiente Computacional para Aplicação no Processo de Avaliação Psicopedagógica < (Disponível em: http://www.abpp-rj.com.br/abpp-rj/novo_psicopedagogia_historico.htm>- Acessado em< 25 de outubro de 2009> - UFRJ/NCE – 2004
BARBOSA, Laura Monte Serrat. A História da Psicopedagogia contou também com        Visca, in Psicopedagogia e Aprendizagem. Coletânea de reflexões. Curitiba, 2002.
BOSSA, Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto   Alegre, Artes Médicas, 2000.
SISTO, F.F. Aprendizagem e mudanças cognitivas em crianças. Petrópolis, Vozes,      1997.
RUBINSTEIN, E. In: SCOZ et al. Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação. Porto Alegre : Artes Médicas, 1992.
SILVA, M. C. A. Psicopedagogia: em busca de uma fundamentação teórica. Porto Alegre : Artes Médicas, 1998.
VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica. Epistemologia Convergente. Porto Alegre,Artes Médicas, 1987.
___________. Psicopedagogia: novas contribuições; organização e tradução Andréa Morais, Maria Isabel Guimarães – Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1991.

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